Qual o melhor híbrido?

A escolha do híbrido de milho é a principal decisão de manejo no processo de confecção de silagem. Os resultados obtidos na silagem dependem da adequação do material à região de implantação da lavoura, do potencial produtivo e do valor nutritivo do material e da resistência à praga e doenças. No entanto, apenas a escolha do melhor material disponível no mercado não é garantia de bons resultados. O híbrido só consegue expressar todo seu potencial genético em função de tratos culturais adequados. Além disso, é preciso processar, conservar e fornecer a silagem de forma adequada.

No Brasil, o produtor tem à disposição 400 híbridos de milho registrados, no entanto, a minoria são destinados especificamente para a confecção de silagem, sendo identificados como duplo-propósito (Daniel et al., 2019). Portanto, muitas dúvidas surgem no momento da escolha do material genético para a próxima safra.

Qual híbrido devo escolher? Qual o melhor híbrido?

O melhor híbrido será aquele material mais adaptado à região (clima e altitude) de condução da lavoura, à realidade tecnológica da fazenda e ao objetivo da produção.

No que diz respeito às características do material genético, existem alguns pontos primordiais que devem ser considerados na escolha do híbrido. Na escolha do material, é importante considerar a produtividade total de matéria seca (PTMS), o teor de amido, o teor de FDN (fibra em detergente neutro) e a digestibilidade da matéria seca e da FDN.

A produtividade de matéria seca do híbrido de milho depende da adaptação do híbrido à região de condução da lavoura, mas também dos tratos culturais realizados na lavoura. O híbrido pode ter um elevado potencial produtivo, porém requerer grande aplicação de tecnologia e investimento, o que pode aumentar muito o custo de produção.

A produtividade de matéria seca do material depende da produtividade de grãos. Portanto, deve-se considerar aspectos relacionados à espiga como comprimento de espiga e profundidade de grãos na escolha de um híbrido. Além disso, as silagens com maior proporção de grãos apresentam maior teor de amido.

O valor nutritivo potencial e a produtividade do híbrido são comprometidos por ataque de pragas e doenças. O custo de produção de milho variou de US$39.9 a US$68.5 por tonelada de MS entre 11 híbridos de milho devido a diferenças na susceptibilidade a pragas e doenças (Gusmão et al.,2018).

Em regiões de clima tropical, a ocorrência de pragas e doenças acontece de forma mais intensa. Portanto, é essencial que o híbrido de milho escolhido seja resistente às principais pragas e doenças recorrentes na região de condução da lavoura. Como consequência, a utilização de híbridos resistentes às pragas e doenças reduz a utilização de pesticidas.

No que diz respeito a preservação da eficiência das sementes transgênicas resistentes a insetos, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento publicou a instrução normativa (IN 59), em dezembro de 2018, instituindo o refúgio estruturado como medida fitossanitária. Essa medida visa proteger as tecnologias de resistência a insetos, devido à manutenção de uma população de pragas vulneráveis ao efeito do inseticida, o que garante a sustentabilidade. A IN 59 determina o plantio de 10% da área com variedades de milho não transgênicas.

Alguns híbridos prometem maior digestibilidade da FDN, pois apresentam genes que reduzem o teor de lignina da planta. No entanto, esses materiais apresentam perda de produtividade, o que pode não ser vantajoso frente ao custo e a demanda de volumoso na fazenda. Além disso, esses materiais podem ser mais susceptíveis ao tombamento de plantas.

A digestibilidade da FDN é um aspecto importante na alimentação de rebanhos leiteiros. No entanto, boa digestibilidade da MS e da FDN são alcançadas pelo momento adequado de colheita da planta, tamanho de partícula adequado na colheita e tempo de ensilagem. 

Em propriedades que se realiza o plantio direto, é importante optar por híbridos resistentes ao herbicida glifosato.

Cada propriedade apresenta a sua realidade e mais importante é a avaliação de cada fazenda de forma particular, adequando cada material à cada realidade.

Referências:

Daniel, J. L. P.; Bernardes, T. F.; Jobim, C. C.; Schmidt, P.; Nussio, L. G. (2019). Production and utilization of silages in tropical areas with focus on Brazil. Grass and Forage Science, 74(2), 188–200. https://doi.org/10.1111/gfs.12417

Gusmão, J.; Bastos, M.; Lima, L.; De Oliveira, I.; Cardoso, M.; Chiarini, T.; Bernardes, T. (2018). Yield and economic performance of corn hybrids for snaplage. In C. Ávila, D. Casagrande, M. Lara & T. Bernardes (Eds.), Proceedings of the II International Conference on Forages (p. 219). Lavras, Brazil.

IN 59 http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/56640378

Autora:
Isabella Hoske Gruppioni Côrtes
Graduada em Medicina Veterinária (UFMG)
Mestra em Nutrição Animal (UFMG)
Pesquisadora nível Doutorado CNPq em Nutrição Animal (UFMG)
CRMV 17177 
http://lattes.cnpq.br/7827478392624254

Imagens:
Fotos: Crédito particular de Isabella Hoske Gruppion