Glossário

1 - Aditivos
Aditivos: qualquer substância adicionada intencionalmente à ração animal, que normalmente não se consome como tal, nem se usa normalmente como ingrediente característico do alimento, tenha ou não valor nutritivo, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento para animais, bem como influir positivamente na melhoria do desempenho dos animais. Ao agregar-se poderá resultar em que o próprio aditivo ou seus derivados se convertam em um componente de tal alimento. Esta definição não inclui os contaminantes e as substâncias nutritivas que sejam incorporadas ao alimento para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais.

Categoria de aditivos:
1 - aditivos tecnológicos
2 - aditivos sensoriais
3 - aditivos zootécnicos
4 - aditivos anticoccidianos
5 - aditivos nutricionais

• Referenciais:
- Instrução Normativa N. 13, MAPA – 30/11/2004.
- Sindirações; Guia de Aditivos, 2005.
- http://www.avm.com.mx/
- CRAVO PEREIRA, A.G., GUEDES, C.F; Antioxidantes e seus benefí-cios: Parte 1. In: Beefpoint; www.beefpoint.com.br
- BORGES, D.F.; Utilização de Ionóforos e Antibióticos na Alimenta-ção de Bovinos (revisão). In: Zootec.2005
- Informações Técnicas Petrobras – Uréia Pecuária
- http://www.coodetec.com.br
- www.londrinatecnopolis.org.br
- BELLAVER, C. Utilização de melhoradores de desempenho na pro-dução de suínos e de aves. Campo Grande, MS. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ZOOTECNIA, 7., 2005, Campo Grande: ABZ / UEMS /UFMS, Embrapa Pantanal, 2005. p.1-29 Disponível em http://www.cnpsa.embrapa.br/?ids=Ss2u0i9k.

2 - Aditivos Tecnológicos
  1. Aditivos Tecnológicos: Qualquer substância adicionada ao produto destinado à alimentação animal com fins tecnológicos.

    1.1. Adsorventes: Substância capaz de fixar moléculas.

    1.2. Aglomerantes: Substância que possibilita às partículas individuais de um alimento aderirem-se umas às outras.

   1.3. Antiaglomerantes: Substância que reduz a tendência das partículas individuais de um alimento a aderirem-se umas às outras.

    1.4. Antioxidantes: Substâncias que prolongam o período de conservação dos alimentos e das matérias-primas para alimentos, protegendo-os contra a deterioração causada pela oxidação. Os antioxidantes podem ser lipossolúveis (vitamina E, ca-rotenóides, etc.), hidrossolúveis (ácido ascórbico, glutationa, bilirrubina, etc.), sintetizados no organismo (ácido ascórbico, glutationa) ou ingeridos através de alimentos ou rações (vitamina E, carotenóides, selênio, etc.) (Helen et al., 2003). Além disso, há enzimas antioxidantes sintetizadas no organismo, que combatem de forma eficaz os radicais livres, porém essas enzimas necessitam de co-fatores metabólicos para atuarem.

    1.5. Antiumectantes: Substância capaz de reduzir as características higroscópicas dos alimentos.

 1.6. Conservantes: Substância, incluindo os auxiliares de fermentação de silagem ou, nesse caso, os microorganismos que prolongam o período de conservação dos alimentos e as matérias-primas para alimentos, protegendo-os contra a deterioração causada por microorganismos.

    1.7. Emulsificantes: Substância que possibilita a formação ou a manutenção de uma mistura homogênea de duas ou mais fases não miscíveis nos alimentos.

    1.8. Estabilizantes: Substância que possibilita a manutenção do estado físico dos alimentos.

    1.9. Espessantes: Substância que aumenta a viscosidade dos alimentos.

    1.10. Gelificantes: Substância que dá textura a um alimento mediante a formação de um gel.

    1.11. Regulador de Acidez: Substância que regula a acidez ou alcalinidade dos alimentos.

    1.12. Umectantes: Substância capaz de evitar a perda da umidade dos alimentos.

3 - Aditivos Sensoriais
  2. Aditivos Sensoriais: qualquer substância adicionada ao alimento para melhorar ou modificar as propriedades organolépticas destes ou as características visuais dos alimentos. Incluem os seguintes grupos funcionais:

    2.1. Corantes e pigmentantes: Substância que confere ou intensifica a cor aos alimentos.

    2.2. Flavorizantes: Substância que confere ou intensifica o aroma e o sabor dos alimentos.

    2.3. Aromatizantes: Substância que confere ou intensifica o aroma dos alimentos.

   2.4. Palatabilizantes: São substâncias que se agregam aos alimentos dos animais buscando estimular o consumo, proporcionando sabores mais agradáveis aos ingredientes da dieta, estimulando assim os órgãos olfativos e gustativos.

4 - Aditivos Zootécnicos
  3. Aditivos Zootécnicos: Qualquer substância utilizada para influir positivamente na melhoria do desempenho dos animais. Incluem os seguintes grupos funcionais: digestivo, equilibradores da flora intestinal e melhoradores de desempenho.

    3.1. Digestivo: substância que facilita a digestão dos alimentos ingeridos, atuando sobre determinadas matérias-primas para alimentos. Incluem o seguinte subgrupo funcional:

  3.1.1. Enzimas: São proteínas de alta complexidade molecular, que sob condições específicas de umidade, tempe-ratura e pH, atuam sobre os substratos também específicos. As enzimas estão presentes em todas as reações biológicas, agindo como um catalisador, isto é, possibilitando a reação e acelerando-a, a tal ponto que algumas reações ocorrem a 108 (10.000.000 vezes) mais rapidamente. Além disto, ao completar o ciclo da reação, a molécula de enzimas não perde a atividade, voltando a atuar sobre uma no-va reação da mesma forma. Por esta razão, as quantidades de enzimas requeridas são muito pequenas para incorporação a um substrato.

  3.2. Equilibradores da flora intestinal: Microrganismos que formam colônias ou outras substâncias definidas quimicamente que administradas aos animais, têm seu efeito positivo para a flora intestinal. Incluem os seguintes subgrupos funcionais:

     3.2.1. Probióticos: São cepas de microrganismos vivos (viáveis), que agem como auxiliares na recomposição da flora microbiana do trato digestivo dos animais, diminuindo o número dos microrganismos patogênicos ou indesejáveis. São preparados de microorganismos vivos que utilizados como aditivos exercem um efeito benéfico sobre o animal, melhorando a digestão e a higiene intestinal (Fuller, 1989). A biorregulação da microflora gastrintestinal é o mecanismo de ação de maior relevância dos probióticos. A biorregulação consiste na manutenção do equilíbrio dentro da flora gastrintestinal e se aplica tanto a monogástricos como ruminantes. Eles estimulam a resposta imune aumentando as imunoglobulinas A e G. Também melhoram a utilização dos nutrientes, aumentando a superfície de absorção e estimulação da permeabilidade da mucosa intestinal com produção de enzimas digestivas.

   3.2.2. Prebióticos: Ingredientes que não são digeridos pelas enzimas digestivas do hospedeiro, mas que são fermentados pela flora bacteriana do trato digestório originando substâncias que estimulam seletivamente o crescimento e/ou atividade de bactérias benéficas e inibem a colonização de bactérias patógenas ou indesejáveis. São compostos não digeridos por enzimas, sais e ácidos produzidos pelo organismo animal, mas seletivamente fermentados pelos microrganismos do trato gastrintestinal que podem estar presentes nos ingredientes da dieta ou adicionados a ela através de fontes exógenas concentradas (GIBSON & RO-BERFROID, 1995; ROY & GIBSON, 1999).

      3.2.3. Simbióticos: São combinações de prebióticos e probióticos. Um caso clássico é uma dieta auxiliar a base de FOS e bifidobactérias. O que estes microrganismos naturais e benéficos fazem, é uma fermentação dos carboidratos complexos da dieta dirigida a ácidos graxos de cadeia curta (acético, láctico, propiônico, butírico) e o pH médio resultante seria responsável pela fisiologia que se traduz em menor inflamação, menor índice de toxinas (a partir da repressão da outra flora, de maior risco, que gera aminas e outros catabólitos de risco) e produção de vitaminas e bacteriocinas (Lactobacillus produz bacteriocina que inibe o crescimento de bactérias patogênicas).

      3.2.4. Ácidos Orgânicos: São substâncias que contém uma ou mais carboxilas em sua molécula. Em geral, quando o termo ácido orgânico é utilizado em nutrição animal, refere-se a ácidos fracos de cadeia cura, que produzem menor quantidade de prótons por moléculas ao se dissocia-rem. Os ácidos orgânicos apresentam efeitos fisiológicos relacionados com o sistema imune, com o esvaziamento gástrico e motilidade intestinal, absorção de minerais e água. São constituintes naturais de diversos alimentos, ocorrem no trato digestivo e produtos do metabolismo intermediário dos animais. O uso de ácidos orgânicos na dieta dos ani-mais, diferente do que muitos imaginam, não é um novo conceito, eles foram usados por pesquisares na década de 1960, como uma forma de controlar a diarréia pós-desmama em leitões. Pesquisas futuras demonstraram a relação entre redução no número de bactérias hemofílicas e a redução do pH estomacal.

    3.3. Nutracêuticos: São alimentos que, quando incluídos na dieta, além de fornecerem nutrientes para o organismo, pos-suem propriedades medicinais, atuando na prevenção e trata-mento de doenças. Os termos “nutracêutico” e “alimento funcional” representam um novo conceito que engloba uma ampla variedade de nutrientes, que atuam maximizando funções fisiológicas relevantes, físicas ou mentais, em adição às características nutricionais básicas. A palavra nutracêutico denomina “qualquer substância considerada alimento ou parte de alimento que propicie benefícios médicos ou para a saúde, incluindo a prevenção e tratamento de doenças”. Em alguns casos pode ser difícil a diferenciação ou estes se enquadram em outras categorias também.

  3.4. Melhoradores de desempenho: Substâncias definidas quimicamente que melhoram os parâmetros de produtividade. Incluem o subgrupo funcional:

     3.4.1. Promotores de crescimento e/ou eficiência alimentar: Neste subgrupo funcional incluem-se os antibióticos e quimioterápicos utilizados como promotor de crescimentos, ionóforos, os repartidores de nutrientes e hormônios.

5 - Aditivos Anticoccidianos
  4. Aditivos Anticoccidianos: Substância medicamentosa utilizada para prevenção da coccidiose.
6 - Aditivos Nutricionais
  5. Aditivos Nutricionais: Toda substância utilizada para manter ou melhorar as propriedades nutricionais do produto.

    5.1. Vitaminas: São substâncias orgânicas naturais indispensáveis para as funções vitais em humanos e animais. Essenciais para o crescimento, saúde e desempenho e podem ser disponibilizadas na dieta uma vez que os animais não são capazes de sintetizá-las em quantidades suficientes. Disponíveis em dois grandes grupos: as lipossolúveis (A, D, E, K) e as hidrossolúveis (complexo B, vit. C e outras).

    5.2. Microminerais: Também conhecidos como oligoelementos ou compostos de oligoelementos, os sistemas de produção variam em relação aos tipos de sais: inorgânicos, orgânicos; e também com a origem das matérias-primas: metálica ou mineral. Na sua grande maioria a produção é direcionada para os produtos inorgânicos: sulfatos, óxidos e carbonatos. A produção dos microminerais na forma orgânica é uma ligação de uma molécula inorgânica com uma orgânica (aminoácidos, peptídeos, leveduras, proteínas, etc). A fração orgânica pode ser obtida por: hidrólise parcial ou total de uma proteína utilizando-se ácidos, enzimas ou síntese de aminoácidos.

    5.3. Aminoácidos: São as unidades básicas da proteína, nutriente fundamental da alimentação. Eles são encontrados em todos os alimentos, de origem animal ou vegetal, que contenham proteínas. Alguns exemplos de alimentos ricos em aminoácidos são o leite, a carne, o ovo e derivados de soja. As proteínas são formadas pela seqüência dos aminoácidos, como as palavras são constituídas pelas letras do alfabeto. São vinte os principais aminoácidos que formam as proteínas, sendo que dez deles são essenciais para os animais e, obrigatoriamente, devem ser fornecidos através do alimento.

    5.4. Uréia Pecuária: É um produto químico que se apresenta em estado sólido, na cor branca, sendo higroscópico e solúvel em água, álcool e benzina. A Uréia Pecuária é obtida a partir da síntese da amônia com o gás carbônico, sob condições de temperatura e pressão elevadas, possuindo fórmula química NH2CONH2.